👈Saúde Mental de A-Z👈
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Todas as pessoas já se sentiram ansiosas. A ansiedade é um sentimento que experimentamos de vez em quando, perante situações em que nos sentimos ameaçados ou stressados. Por exemplo, perante o pensamento de ir fazer um exame, ir ao hospital ou a uma entrevista de emprego, é comum sentirmo-nos tensos, preocupados, nervosos, termos medo de fazer “figura de parvos” ou duvidarmos da nossa capacidade para sermos bem sucedidos. Estas preocupações podem afectar o nosso sono, apetite e capacidade de concentração. Mas, se todo correr bem, a ansiedade desaparece. Este tipo de ansiedade até pode ser positiva e útil. No entanto, se os sentimentos de ansiedade nos sobrecarregarem, se o nível de ansiedade for elevado durante longos períodos de tempo, o nosso desempenho pode ser afectado e torna-se mais difícil lidar com a nossa vida quotidiana. Podemos sentir que estamos a ficar sem controlo, que vamos morrer ou ficar “malucos”. A ansiedade tem efeitos no nosso corpo e na nossa mente. Do ponto de vista físico, podemos experienciar tensão muscular, dor de cabeça, batimento cardíaco acelerado, náuseas e vómitos, vontade de ir à casa de banho, dificuldade em dormir ou sensação de “borboletas no estômago”. Do ponto de vista psicológico, a ansiedade pode tornar-nos mais receosos, alerta, nervosos, irritáveis, incapazes de relaxar e de nos concentrarmos. |
A ansiedade pode afectar o nosso pensamento e as nossas relações com os outros. Se temos medo que aconteça o pior, podemos ficar muito pessimistas. Por exemplo, se um amigo se atrasa para um jantar, podemos começar a ficar preocupados se ele terá tido um acidente ou se não quer a nossa companhia, quando afinal esse amigo pode apenas ter perdido o comboio. As pessoas respondem à ansiedade de forma diferente, por isso, quando a ansiedade invade as suas vidas, podem experienciar ataques de pânico sem razão aparente, desenvolver uma fobia de sair de casa, isolar-se da sua família e amigos e ter pensamentos obsessivos ou comportamentos compulsivos, como estar constantemente a lavar as mãos. Enfrentar a ansiedade é o primeiro passo para quebrar o ciclo de medo e insegurança. Existem tratamentos eficazes e várias coisas que podemos fazer para reduzir e gerir a nossa ansiedade. Se pensa que a ansiedade está a afectar a sua capacidade de lidar com o seu dia-a-dia, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Às vezes, quando os sentimentos de medo e ansiedade são em excesso e nos sobrecarregam, podemos experienciar um ataque de pânico. Um ataque de pânico é uma resposta exagerada do nosso corpo ao medo ou ao stresse. De repente somos invadidos por um conjunto de sensações intensas como o batimento rápido do coração, sensação de desmaio, suores, náuseas, dores no peito, dificuldade em respirar ou sentimento de perder o controlo. Podemos pensar que estamos a enlouquecer, a desmaiar ou a ter um ataque cardíaco. Podemos até ficar convencidos que vamos morrer, o que torna esta experiência ainda mais aterrorizante. Os ataques de pânico acontecem e atingem o seu pico rapidamente, durando normalmente entre 5 a 20 minutos |
Os ataques de pânico podem acontecer sem razão aparente e podemos não compreender porquê. Quando experienciamos múltiplos ataques de pânico de forma completamente imprevisível e sem sermos capazes de identificar o que os provoca, podemos ter uma Perturbação do Pânico e viver no medo constante de experienciarmos um novo ataque. A mera possibilidade de experienciar outro ataque de pânico (o “medo de ter medo”) pode trazer tanta ansiedade que causa de facto um ataque de pânico. É muito difícil lidar sozinho com os ataques de pânico e a sua intensidade e frequência podem aumentar ao longo do tempo. Existem tratamentos eficazes e várias coisas que podemos fazer para reduzir e gerir a nossa ansiedade. Se pensa que a ansiedade e os ataques de pânico estão a afectar a sua qualidade de vida, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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As fobias são medos irracionais. Quando temos uma fobia ficamos ansiosos e com medo perante situações e objectos muito específicos, como por exemplo, aranhas, alturas, espaços cheios de pessoas ou aviões. O medo é um sentimento normal e positivo perante situações em que existe uma ameaça real. Por exemplo, se estivermos a ser atacados numa situação de assalto o medo vai ajudar-nos a reagir. O medo só se torna uma fobia quando nos sentimos ameaçados, de modo exagerado ou irrealista, perante uma situação ou objecto que não representa uma ameaça. Sabemos que não há razão para tanto medo, mas mesmo assim não conseguimos evitar. Por exemplo, mesmo sabendo que as aranhas não são venenosas e não nos vão morder, isso não reduz a nossa ansiedade. Quando temos uma fobia podemos dar-nos a muito trabalho para evitar as situações ou os objectos que nos obrigariam a confrontar o nosso medo. Sempre que somos confrontados com essas situações ou objectos ficamos muito ansiosos e podemos até ter um ataque de pânico.
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Existem muitos tipos de fobias, desde as mais simples – por exemplo, fobia de cobras, do escuro, de voar, de ir ao dentista ou de ver sangue – às mais complexas – por exemplo, fobia social (sentir-se ansioso na presença de outras pessoas, com medo de ser criticado ou de fazer alguma coisa embaraçosa) ou agorafobia (medo de estar em espaços abertos ou em situações das quais seja difícil escapar ou sejam embaraçosas, por exemplo, ir a um Centro Comercial, viajar de autocarro ou mesmo sair de casa). As fobias são comuns e podemos sentir que as nossas não são perturbadoras o suficiente para afectar a nossa vida. No entanto, se evitar o objecto/actividade/situação que despoleta a sua fobia interfere com a sua vida quotidiana ou o impede de fazer coisas que deseja (por exemplo, deixar de sair com os amigos, deixar de viajar ou evitar determinados locais), saiba que existem tratamentos eficazes, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Esta perturbação é caracterizada por pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos. O propósito das compulsões é tentar diminuir a ansiedade causada pelos pensamentos obsessivos, mas muitas vezes o processo de repetição das compulsões também gera sofrimento e o alívio que sentimos é nulo ou muito pouco. As obsessões correspondem a pensamentos indesejados e intrusivos, imagens, desejos ou dúvidas que nos vêm repetidamente à mente. Por exemplo, podemos ter pensamentos obsessivos sobre sermos contaminados por germes ou termos medo de nos termos esquecido de fechar a porta ou desligado o gás. Os pensamentos obsessivos interrompem os nossos outros pensamentos e fazem-nos sentir muito ansiosos. As compulsões são actividades repetitivas que sentimos que temos que realizar, sob pena de algo mau nos acontecer a nós ou aos outros. Por exemplo, podemos sentir-nos compelidos a lavar as mãos, a verificar se a porta está fechado, a fazer as coisas numa determinada ordem, a repetir algumas tarefas um determinado número de vezes ou a dizer para nós próprios uma frase para que nada aconteça a alguém que amamos.
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Estes rituais podem consumir muito do nosso tempo e interferir com a nossa vida – com a nossa capacidade de concentração, o nosso trabalho e relação com os outros. Às vezes sentimos vergonha destes rituais e escondemo-los da nossa família e amigos. Pode ser muito difícil falar sobre as nossas obsessões e compulsões, sobretudo se elas estiverem relacionadas com religião, sexo ou violência. No entanto, é importante fazê-lo, pois existem estratégias e tratamentos eficazes para lidar com estes sintomas, que se podem tornar incapacitantes. Se se sente “escravo” dos seus pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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A depressão é um dos problemas de saúde mental mais comuns. Pode fazer-nos sentir tristes, desesperados, inúteis e sem valor, desmotivados e exaustos. Pode afectar a nossa auto-estima, o nosso sono, o apetite e a líbido, podendo interferir com as nossas actividades diárias e, às vezes, com a nossa saúde física. Costumamos usar a expressão “estou deprimido” quando nos sentimos tristes e muito insatisfeitos com a nossa vida. Mas, normalmente, estes sentimentos passam. É normal sentirmo-nos tristes e infelizes com a perda de alguém que amamos, com uma separação ou com uma grande desilusão/frustração. Estas reacções emocionais são adequadas à situação que estamos a viver e têm uma duração limitada. Contudo, se estes sentimentos interferirem com a nossa vida e não desaparecerem após duas semanas, ou se estiverem constantemente a voltar, podemos estar deprimidos no sentido clínico do termo. Na sua forma mais leve, a depressão significa que nos sentimos mais “em baixo”. Não nos impede de continuar com a nossa vida normal, mas torna tudo mais difícil de fazer e faz parecer que o nosso esforço é inútil e vão. Na sua forma mais grave, a depressão pode ameaçar a nossa integridade física e fazer-nos ter vontade de desistir de viver (suicídio). |
A depressão manifesta-se nos nossos sentimentos (ex: sentimo-nos tristes, desesperados ou vazios; choramos facilmente e isolamo-nos dos outros), nos nossos pensamentos (ex: temos dificuldade em nos concentrarmos e tomarmos decisões; culpamo-nos sobre tudo e vemos sempre o lado negativo do que acontece), nos nossos comportamentos (ex: deixamos de fazer actividades que nos davam prazer, evitamos situações e não nos apetece falar) e no nosso corpo (ex: temos dificuldade em dormir ou dormimos demasiado, sentimo-nos sem energia e perdemos o apetite/comemos em excesso, consumimos mais tabaco ou álcool do que é habitual). A depressão não é “fita” nem “falta de força de vontade”. A depressão não se resolve com “pensamento positivo” nem basta a pessoa “reagir”. Se se sente deprimido, pode sentir que nada nem ninguém o conseguirão ajudar. Mas isso não corresponde à verdade: existem tratamentos eficazes para a depressão. A maior parte das pessoas recuperam de episódios e períodos depressivos. Se os seus sentimentos negativos não desaparecem, não consegue lidar com eles ou interferem com a sua capacidade de fazer a sua vida normalmente, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Ter um bebé é, supostamente, um momento de grande felicidade e alegria. No entanto, nem sempre as mães se sentem assim. Muitas mães, durante um período breve, sentem-se emotivas, infelizes e chorosas. Esta situação começa 3 a 10 dias após o parto e afecta muitas mães. É tão comum que é considerada normal. Muitos pais sentem-se também desta forma. Estes “baby blues” duram apenas alguns dias. No entanto, cerca de 10% a 15% das mães desenvolvem sentimentos depressivos mais profundos e duradouros, conhecidos como Depressão Pós-Parto. A Depressão Pós-Parto desenvolve-se normalmente nas seis semanas seguintes ao parto e pode aparecer gradualmente ou de repente. |
As mães podem sentir-se tristes, inúteis, sem esperança no futuro, cansadas e incapazes, irritadas e zangadas, culpadas e agressivas para com o bebé ou o companheiro. Quando as mães experienciam pensamentos sobre a morte ou fazer mal a si próprias ou ao bebé, podem ficar assustadas e sentir que estão a ficar “malucas” ou a perder o controlo. Podem sentir vergonha e não querer partilhar estes sentimentos com ninguém. Quanto mais depressa reconhecermos os sintomas de uma Depressão Pós-Parto e encontrarmos tratamento, mais depressa a depressão passará e o sofrimento será menos grave, afectando menos a mãe e o bebé. Existem tratamentos eficazes para a Depressão Pós Parto. Procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Quando temos uma Perturbação Bipolar podemos experimentar enormes variações de humor – desde períodos de comportamento muito activo e grande excitação (mania ou episódios maníacos) a uma depressão profunda. Entre estes “altos” e “baixos”, podem existir períodos estáveis. Durante os períodos maníacos podemos sentir grande inquietação, irritabilidade, falar muito rápido, não conseguir controlar os nossos pensamentos, ter muita energia e não precisar de dormir, sentirmo-nos muito importantes e de bom humor, gastarmos demasiado dinheiro ou mesmo adoptar comportamentos de risco. Muitas vezes não temos noção do nosso comportamento enquanto passamos por estas fases. Quando elas terminam ficamos chocados com aquilo que fizemos e o efeito dos nossos comportamentos. Durante os períodos depressivos podemos sentir um grande desespero, culpa, cansaço, dificuldade em dormir, perda de interesse nas actividades do nosso dia-a-dia. Podemos sentir-nos vazios ou ter pensamentos suicidas.
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Estes episódios maníacos ou depressivos têm uma duração (semanas ou meses) variável. A frequência com que acontecem e os intervalos de tempo entre eles são igualmente variáveis. Os períodos maníacos tendem a aparecer de repente e a durar menos tempo do que os períodos depressivos. Nos períodos de estabilidade os sintomas podem estar diminuídos, mas mesmo assim terem um impacto na vida do dia-a-dia. Existem tratamentos eficazes para a Perturbação Bipolar, que permitem viver uma vida plena e produtiva. Se o seu humor oscila entre períodos de grande excitação e períodos de depressão, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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A dor e o sofrimento que se seguem à experiência de perder alguém de quem gostamos, um membro da família ou um amigo, são normais. Estes sentimentos podem acontecer imediatamente a seguir à perda de alguém ou nos meses que se seguem ao seu desaparecimento. Não existe uma forma “certa” de fazer o luto e superar a perda de alguém – somos todos diferentes e temos reacções e sentimentos diferentes perante a perda. Quando nos confrontamos com a morte de alguém podemos ficar em choque e não querermos acreditar que a pessoa morreu realmente; desejar que essa pessoa estivesse presente e pudéssemos tocar-lhe; sentir raiva ou ressentimento por ela nos ter deixado ou culpados, por não termos sido capazes de a salvar ou por continuarmos vivos. Podemos sentir-nos ansiosos face ao futuro sem essa pessoa, estar constantemente a pensar nela, termos dificuldades em dormir e perdermos o apetite. O luto leva tempo. Podemos ter “altos” e “baixos” nos meses ou anos após a morte de alguém que amamos. No entanto, a maior parte das pessoas conseguem continuar a sua vida enquanto lidam com a dor de perder alguém. As coisas vão-se tornando mais fáceis à medida que o tempo passa, sobretudo após os primeiros seis meses, e gradualmente conseguimos viver mais “tempos bons” do que “tempos difíceis”. |
Mas há pessoas que não são capazes de lidar com a dor de perder alguém e, lentamente recomeçar as suas vidas. Para estas pessoas, a dor é intensa e o luto demora mais tempo do que o habitual, interferindo com a sua capacidade de continuar a viver. Podem ter problemas de saúde mental como a depressão, a ansiedade ou mesmo pensar em suicídio. Para qualquer um destes problemas existem tratamentos eficazes. Para além da experiência de perder alguém, existem outras experiências de perda que também nos podem causar muita dor e sofrimento. Por exemplo, separação e divórcio, perda do emprego ou reforma, perda da saúde física e independência, infertilidade ou emigração. Se já passou muito tempo após a morte de alguém que amava (ou de outra experiência de perda) e não consegue retomar a sua vida quotidiana, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Quando vivemos muitas perdas, nos sentimos um fracasso, sobrecarregados por problemas económicos ou familiares, ou mesmo sem sabermos bem porquê, podemos ficar presos na nossa dor e acreditar que não existem soluções para os nossos problemas. Sentimo-nos impotentes para mudar a nossa vida e a ideia de morrer, de suicídio, dá-nos a ilusão de algum conforto e controlo sobre a situação. Os pensamentos e sentimentos suicidas podem ser aterrorizantes. Quando já não conseguimos ver nenhum propósito ou sentido em continuarmos a viver, os nossos sentimentos podem parecer insuportáveis. Podemos odiar-nos e acreditar que somos inúteis, que não fazemos falta a ninguém e que ninguém gosta e se importa realmente connosco. Podemos sentir raiva, vergonha e culpa. |
Muitas vezes isolamo-nos dos outros e é difícil partilhar com a família e os amigos o quão mal nos sentimos. Às vezes nem para nós próprios é assim tão claro que queremos morrer. Podemos sentir-nos indiferentes, confusos ou ter a esperança que alguém nos compreende e nos ajude. Nem sempre pensar sobre suicídio significa que queremos realmente morrer. Muitas pessoas pensam sobre suicídio e a maior parte delas não leva esses pensamentos até ao fim e se mata. Muitas pessoas experienciam vontade de se suicidar e pensamentos suicidas como parte de um problema de saúde mental ou quando experienciam problemas de saúde física graves e dolorosos. No entanto, existem profissionais de saúde que nos podem ajudar a dar sentido aos nossos sentimentos e a resolver os nossos problemas. Se tem vontade de morrer ou pensa em suicidar-se, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Todos temos diferentes hábitos alimentares e é normal que a forma como comemos seja afectada quando nos sentimos sob pressão, em sofrimento ou em stresse. Podemos desejar um alimento em particular (como o chocolate), perder o apetite, comermos mais ou nem sermos capazes de comer. Quando essas situações difíceis passam, voltamos a comer normalmente.
No entanto, se durante um período de tempo mais longo comemos muito pouco ou em demasia, podemos desenvolver uma perturbação alimentar. A comida pode tornar-se cada vez mais importante na nossa vida e, nalguns casos, torna-se a coisa mais importante e à volta da qual a nossa vida gira. Podemos negar comida a nós próprios mesmo quando temos fome, ou comer constantemente ou comer compulsivamente. Podemos pensar constantemente em comida ou no nosso peso. Desta forma, a alimentação pode afectar negativamente a nossa vida. Mas não se trata apenas de “comida” e “comer”. As perturbações alimentares também dizem respeito a problemas complexos e a sentimentos dolorosos – difíceis de expressar, confrontar e resolver. Às vezes, focando-nos na comida estamos a desviar a (nossa) atenção de outros problemas. |
Existem várias perturbações alimentares, como a anorexia, a bulimia ou as compulsões alimentares. Todas elas implicam uma preocupação exagerada com a alimentação, o exercício físico, o peso ou a forma do corpo.
Podemos estar a comer compulsivamente quando utilizamos a comida em situações em que nos sentimos “em baixo” e precisamos de apoio emocional, quando nos sentimos infelizes e comemos como forma de conforto. Podemos passar o dia a comer sem conseguirmos parar ou dar por nós a comer uma quantidade exagerada de doces enquanto vemos televisão. Como consequência, é provável que tenhamos peso a mais e que possamos desenvolver problemas de saúde física por causa disso. Ter um problema com a comida não é raro nem deve ser motivo de vergonha. Qualquer pessoa, de qualquer género ou idade pode ter uma perturbação alimentar. É muito difícil resolver esses problemas sozinho/a e receber ajuda o mais cedo possível é muito importante. Existem tratamentos eficazes para as perturbações alimentares, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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Quando temos anorexia podemos sentir que aquilo que comemos, se comemos e quando comemos é a única parte da nossa vida sobre a qual temos controlo. Ganhar peso significa perder esse controlo. Não queremos aumentar de peso, mas simultaneamente também não queremos morrer à fome. Todavia, não comer e perder peso pode ser a única forma de nos sentirmos seguros, mesmo que tenhamos muita fome. É comum negarmos que temos fome, ficarmos obcecados com a perda de peso, contarmos todas as calorias do que comemos, escondermos comida, fazermos exercício em excesso, usar medicamentos para reduzir o apetite ou acelerar a digestão, usar roupas largas. Acreditamos que temos peso a mais, mesmo quando toda a gente nos diz que estamos demasiado magras/os. |
A anorexia pode afectar todos os aspectos da nossa vida, a forma como pensamos e como nos sentimos: podemos ter sentimentos negativos, um baixo sentido de auto-estima, medo da rejeição e uma auto-imagem distorcida. A anorexia é um problema de saúde mental grave que pode colocar a nossa vida em risco. Mas existem tratamentos eficazes, que nos permitem levar uma vida normal e saudável. Se está demasiado preocupado com a sua alimentação e tenta não comer, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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A bulimia corresponde a um ciclo em que primeiro nos sentimos compelidos a comer muita comida e, depois, nos tentamos livrar dos efeitos de termos comido muito. Quando temos bulimia podemos comer compulsivamente (ou seja, grandes quantidades de uma só vez), passar fome depois de comer, vomitar o que comemos ou usar laxantes, pensar constantemente em comida, comer às escondidas ou pensarmos que temos peso a mais. |
Como o peso não se altera muito e as pessoas com bulimia tentam esconder os seus comportamentos, este problema não é muito visível ou fácil de identificar. Contudo, os seus efeitos na saúde física e psicológica são graves. Existem tratamentos eficazes para as perturbações alimentares, que nos permitem levar uma vida normal e saudável. Se come compulsivamente e depois se tenta desfazer dessa comida, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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O bullying corresponde a um comportamento intencionalmente agressivo, violento e humilhante, que envolve um desequilíbrio de poder: as crianças que fazem bullying usam o seu poder (a sua força física ou o acesso a alguma informação constrangedora, por exemplo) para controlar e prejudicar outras crianças. É um comportamento repetido ao longo do tempo, que acontece mais do que uma vez. O bullying inclui comportamentos como ameaçar, espalhar boatos, atacar alguém fisicamente (bater, arranhar, cuspir, roubar ou partir objectos) ou verbalmente (chamar nomes, provocar, dizer às outras crianças para não serem amigas de uma delas, gozar) ou excluir alguém do grupo propositadamente. O bullying pode acontecer durante ou depois das horas escolares, dentro da escola mas também fora (nos espaços circundantes, nos meios de transporte) e na internet (por exemplo, no Facebook ou noutras redes sociais). Quer os rapazes quer as raparigas podem fazer bullying. As vítimas de bullying também podem ser raparigas ou rapazes. As crianças vítimas de bullying podem sentir-se constantemente com medo, ansiosas, com dores físicas e dificuldade em concentrarem-se na escola. Em muitos casos as crianças vítimas de bullying comprometem- se a permanecer em silêncio sobre as agressões como forma de evitar novas retaliações. Não se sentem capazes de lidar com a situação, achando-se impotentes para resolver o problema. Como podemos saber se o nosso filho está a ser vítima de bullying? As crianças vítimas de bullying podem mostrar-se abatidas, com falta de paciência, mais alheadas da família, mais introspectivas, zangadas ou muito irritáveis. Podem também não querer ir à escola, apresentar alterações de humor, dificuldade de concentração, piores resultados na escola e queixas físicas permanentes (dor de cabeça, de estômago, cansaço). No entanto, é preciso notar que estes sinais nem sempre significam uma situação de bullying, podendo ser comuns a outros problemas ou até ao período da adolescência. |
Porque é que as crianças que são vítimas de bullying não contam aos pais ou a outras figuras de autoridade? Porque têm medo de serem mais agredidos se contarem, por vergonha, por medo de que não acreditem neles ou lhes dêem apoio, por medo que os culpem ou lhes exijam que reajam com a mesma atitude. O bullying não é normal, não faz parte de “ser criança” ou “crescer”, não torna as crianças “mais fortes”. Responder ao bullying com mais comportamentos agressivos, não resolve o problema: as respostas agressivas tendem a levar a mais violência e mais bullying contra as vítimas. Por mais difícil que seja para a criança (e para os pais) é importante falar sobre o bullying. Se identifica sinais de bullying no seu filho e não sabe o que fazer com esta situação, procure ajuda. Encontre aqui ajuda |
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As crianças com Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) têm dificuldade em concentrar-se e tomar atenção durante muito tempo, distraem-se facilmente, fazem as coisas sem pensar e são demasiado activas (por exemplo, é-lhes difícil estar sentadas e quietas no mesmo sítio). Também não é fácil para elas seguirem regras ou esperar (por exemplo, podem interromper as conversas ou falar por cima dos outros). Estes comportamentos são mais frequentes e piores do que aqueles que são habituais nas crianças com a mesma idade. Acontecem em contextos e sítios diferentes: na escola, em casa, no parque infantil. Por causa destas dificuldades algumas crianças também têm problemas na escola e na realização das tarefas escolares, sentem-se ansiosas e com pouca auto-estima, têm dificuldade em manter os seus amigos e podem ter um comportamento desafiante e agressivo. |
Na verdade, qualquer um de nós (crianças, jovens ou adultos) pode experienciar períodos de falta de concentração, impulsividade ou hiperactividade. Mudanças importantes na nossa vida também podem, temporariamente, provocar comportamentos que são típicos da PHDA. Por isso é importante que o diagnóstico desta perturbação seja precedido de uma avaliação rigorosa realizada por um ou mais profissionais de saúde, entre os quais o Psicólogo. Ouvimos falar muito em crianças hiperactivas e parece existir alguma tendência para explicar o mau desempenho e o mau comportamento das crianças pela presença de PHDA. No entanto, apenas 5% das crianças sofre desta perturbação e em Portugal esta percentagem é ainda mais baixa. Existem tratamentos eficazes para a PHDA – não só farmacológicos mas também psicológicos: é possível gerir os comportamentos de uma crianças com hiperactividade e melhorar a sua qualidade de vida. Se identifica estes sinais no seu filho, procure ajuda Encontre aqui ajuda |
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Todos nós temos uma opinião sobre nós próprios. É a forma como nos vemos a nós próprios que está na base da auto-estima e que afecta a forma como nos sentimos relativamente a nós próprios e nos valorizamos. A auto-estima não é estática nem fixa: as nossas crenças sobre nós próprios podem variar conforme a situação em que nos encontramos e ao longo da nossa vida, à medida que vivemos diferentes experiências. Quando temos uma boa auto-estima, geralmente, conseguimos ver os nossos pontos positivos e ela pode ajudar-nos a lidar com experiências negativas, como perder o emprego ou terminar uma relação. Sentimo- nos confiantes, não nos culpamos de tudo o que acontece, aceitamos errar e aprender com os erros, confiamos nos outros, cuidamos de nós próprios e conseguimos dizer “não” quando é preciso. É claro que ninguém está constantemente feliz e satisfeito consigo próprio e ter uma boa auto-estima não significa que somos confiantes em todas as situações. Mas uma boa saúde emocional e uma auto-estima positiva estão associadas à felicidade. Quando temos uma baixa auto-estima as crenças sobre nós próprios costumam ser negativas. Focamo-nos naquilo que pensamos serem os nossos pontos fracos e nos erros que cometemos. Temos tendência a culpar-nos do que acontece, a desconfiar dos outros, a ter medo de correr riscos e sermos ridicularizados, a deixar os outros tomar decisões por nós. Não nos sentimos amados e podemos até achar que não merecemos que alguém goste de nós |
Ter uma baixa auto-estima pode interferir com a nossa vida do dia-a-dia, com a nossa capacidade de realizar o nosso potencial, com as nossas relações pessoais (podemos achar que não merecemos ser tratados com amor e respeito e permitir que os nossos amigos ou parceiros românticos nos maltratem), com a nossa vida social (podemos ser extremamente sensíveis a quaisquer críticas e ficar aborrecidos facilmente, evitando actividades que nos possam expor ao julgamento dos outros), com o nosso trabalho (podemos achar que não somos suficientemente competentes e evitar tarefas ou cargos no nosso local de trabalho). A baixa auto-estima, por si só, não constitui um problema de saúde mental. Mas ter uma baixa auto- estima pode afectar a nossa saúde mental, uma vez que diminui a nossa capacidade de lidar com as coisas menos boas da vida e, dessa forma, aumenta o risco de desenvolvermos problemas de saúde mental (como as perturbações da alimentação, a depressão ou a fobia social). Se para além de uma baixa auto-estima, sente muita ansiedade, depressão ou stresse, saiba que existem tratamentos eficazes para esses problemas. Procure ajuda. Encontre aqui ajuda |